por Bruno Segadilha
Se você olhar no mapa, vai ver que o Havaí fica bem afastado de tudo. Trata-se de uma ilha minúscula no meio do pacífico, no meio do nada. A viagem de Los Angeles até lá dura cerca de 5 horas e, no avião, a brincadeira que mais se fazia era se aquele voo chegaria inteiro até lá. “Aconteceu com o voo 815 da Oceanic, poderia acontecer de novo”.
Piadas à parte, todos os jornalistas que embarcaram para a ilha tinham sua dose de razão. Pelo afastamento de tudo, Oahu, a principal ilha do Havaí, onde fica Honolulu e a maior parte dos luxuosos resorts, dá a impressão de um lugar meio perdido. Não que a cidade seja uma selva, pelo contrário. É uma típica cidade dos EUA, com todo comércio, infra-estrutura e Starbucks a cada esquina que se possa imaginar. Mas guarda também uma natureza bastante peculiar, com montanhas rasgadas pela lava vulcânica, sinal de que aquele lugar já foi uma área bem inóspita. Basta pegar um ônibus e se afastar um pouco da zona urbana para perceber que a ilha de Lost existe, sim, e fica a poucos minutos da civilização. Essa tenha sido talvez uma das razões de os produtores da série terem escolhido o lugar como cenário do programa. Outra é o afastamento mesmo. “É mais fácil ficar distante de tudo”, diz o produtor criativo Jack Bender.
Bender falou com a Monet, mas não contou quase nada. A solução é esperar a estreia do programa, às 21h da terça feira (9), no canal AXN. Ou então, criar sua própria teoria. Nós aqui na redação ouvimos uma bem interessante, que parece explicar bastante coisa: Locke estaria realmente morto. Quem, na verdade, aparece vivo, na quinta temporada é a fumaça negra, uma entidade que quis, desde sempre acabar com Jacob. Essa entidade, que tem poderes sobrenaturais, consegue se transformar em qualquer personagem já falecido. Assim, ela se metamorfoseou no pai de Jack, em Charlie (lembram que ele aparece para Hurley, tentando convencê-lo a voltar para a ilha?) e agora em um falso Locke, que convenceu Ben a matar Jacob.
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Do resto, não fazemos ideia. Jorge Garcia, o Hurley, conversou com a gente e disse que já ouviu muita baboseira. Veja abaixo a entrevista dele e diga: você tem a sua?
Lost está acabando. Como está lidando com isso?
Lost tem sido minha vida nos últimos seis anos. Foi o melhor ponto da minha carreira. Hurley tem sido um desafio. É um cara engraçado, tem tragédias sérias na vida pessoal, teve romance e os episódios têm me dado oportunidades únicas como ator. Alguns momentos da série, como quando ele rouba a van, foge com todos, são muito bons. A série tem me dado um material muito bom como ator. É interessante que mudei para cá para o Havaí, sabia que ia ter que mudar minha vida e tudo mais. Agora estou famoso e vou voltar para Los Angeles, é uma delícia voltar para casa assim. Viemos, fizemos a nossa riqueza e agora estamos voltando por cima. É muito bom sentir isso. Outro ponto é que Lost me abriu portas, posso escolher papéis.
Vai ser difícil se livrar de Hurley?
Não sei, ainda não pensei e nem estou preocupado. Vamos ver o que acontece. Não acho que um dia vou me arrepender por ter feito esse papel. Estar em Lost me deu uma liberdade financeira muito grande. Se eu precisar ar um tempo para que as pessoas esqueçam Hurley por um tempo, posso fazer.
Seu personagem dá um tom cômico à série. Como vê isso?
Acho ótimo. O programa é tão intenso, cheio de mistérios, que é bom saber que meu personagem dá ao público um momento para respirar. Além disso, acho que ele é a voz do público. Ele faz as perguntas que o público quer saber.
Os fãs sempre perguntam por que você nunca perdeu peso. Isso te incomoda?
No começo e por um bom tempo, essa a principal pergunta dos fãs. E eu pensava: “Cara, com tanta coisa interessante acontecendo, as pessoas só querem saber disso?”. Havia um monstro comendo as pessoas, havia os números e tudo mais…
Talvez porque ele seja um dos personagens mais populares da série.
Acho isso ótimo. É difícil entender e explicar o porquê dessa popularidade toda, mas acho que o Hurley é um cara que não tenta ser o vilão ou o herói. Ele quer saber o que vai fazer da vida amanhã.
Existem muitas teorias na internet. Qual foi a mais esdrúxula que você ouviu?
Existe uma que diz que o avião saiu de Sidney, pousou seguramente em Los Angeles, mas, no ar, foi clonado. Então, todos foram clonados e estão na ilha. Por isso, personagens como o pai de Jack, Charlie e Locke reaparecem.
Hurley tinha uma vida miserável antes da ilha. Voltou e ficou ainda pior: acabou em um sanatório. Você acha que ele poderia viver fora da ilha?
Olha… Não sei te dizer bem. O que a gente tem que considerar é que a vida dele foi um inferno depois que voltou da ilha muito porque existia um movimento da própria ilha de levar todo mundo de volta. O Jack também não foi nada feliz fora de lá. Então, existia esse senso de que eles tinham coisas inacabadas por lá. Não tenho a menor noção do que vá acontecer, mas tenho a sensação de que, no final, tudo ficará bem.
Saiba mais sobre a série Lost (canal AXN, às terças, 21h) no material exclusivo publicado na edição de fevereiro da Revista Monet
O que é a fumaça preta?
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