Violento, e daí?
Bruno Segadilha, de Los Angeles

Corrida Mortal nasceu com vocação para o trash. Mas não é. Nova versão de Death Race 2000, fita que trazia David Carradine e Silvester Stallone como dois corredores de um rally da morte, o longa que estréia hoje nos cinemas brasileiros transporta a ação das ruas para um presídio e aposta suas fichas na figura do valentão Jason Statham (Adrenalina e Snatch – Porcos e Diamantes) como um presidiário justiceiro. As mudanças não poderiam ser mais acertadas. De clássico do cinema B americano, Corrida Mortal se transforma em um ótimo filme de ação, assumidamente violento, sem se preocupar muito com aquela onda chata do politicamente correto. “É um filme, não vão se encrencar com isso!”, disse Statham, em entrevista para divulgar o filme, em Los Angeles.
Statham é de uma honestidade rara em Hollywood. O grandalhão, assim como o diretor Paul W. S. Anderson (Resident Evil) não se envergonharam em dizer que o filme era uma pancadaria só e que o sangue derramado fazia parte do negócio. “Sempre quis rodar uma nova versão desde sempre. Ele marcou minha adolescência. É violento? Talvez, mas é divertido. Por que só podemos nos divertir com o que é politicamente correto? É ficção, gente, é filme”, disse Anderson, sobre as cenas de morte. Isso porque ele optou por tirar do roteiro o bônus que cada corredor ganhava ao atropelar um pedestre…
Anderson afirmou também não conseguir pensar em outro astro que não Statham para viver Jensen James, sujeito que vai para o xilindró acusado de matar a mulher. Com seu estilo brutamontes, não demora para que James chame a atenção de Hennesey (a sempre ótima Joan Allen), diretora malvadona do presídio, que comanda corridas de carro entre seus detentos. As competições são tão lucrativas quanto perigosas: os retardatários podem morrer no meio do caminho. Hennesey precisa de um substituto para Frankenstein (voz de David Carradine, em participação especial), pseudônimo para um dos melhores e mais carismáticos pilotos da competição, que acaba morto em uma de suas corridas. Se for bem, Jensen sai da cadeia.
“Foi divertidíssimo, pude interpretar uma vilãzona, daquelas malévolas, que têm a ruindade primitiva dentro e si”, divertiu-se Joan, três vezes indicada ao Oscar, mas sem nenhum preconceito com o gênero. “É bom mudar de ares, variar um pouco”, disse Joan, que também não se importava muito com tanta violência nas telas. “É um tema violento, não dá para fugir muito de cenas assim, né?”, disse. Joan, Statham e o diretor Anderson estão certos: não dá para fazer omelete sem quebrar os ovos. Se fosse leve, politicamente correto, Corrida Mortal não escaparia de ser uma grande chatice.
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